A morte bate à porta e eu me nego a abrir.
Escapo, dou meu jeito, enveredo.
A morte bate à
porta novamente e eu sigo relutante, sigo negando a
realidade, o destino que todos nós iremos enfrentar.
A morte propõe uma conversa…
Eu penso,
reflito, resisto, abro uma fresta da porta.
A morte
então me convida para um passeio.
Saio de casa e
caminho ao seu lado.
– O tempo é seu maior aliado e mesmo que
você lute contra ele, o tempo é o único capaz de me
ressignificar.
A morte me conta seu segredo, mas não sem
um preço.
Ela me diz que eu sei quem ela precisa
levar, quem chegou a hora de cruzar as fronteiras da
Morte.
Procuro seus olhos, mas a morte não tem
olhos, pois é a guardiã de todas as almas do mundo.
Eu corro, digo que não aceito, choro, mas a
morte diz que não adianta e que ela é inevitável.
Não corre atrás de mim, anda a passos lentos, não
precisa correr.
Eu, exausta, desisto e digo para a
morte que ao levar minha mãe, ela irá levar metade
de mim, a minha casa, a minha edificação.
E ela me
responde que sabe disso e que um dia voltará para
buscar a outra metade.
Me dá uma parte de seu
lenço preto e parte.


CAROLINA ANA Acredito que o impulso por trás da minha escrita reside na busca pela conexão com o mundo. Sinto que aqueles que escrevem são impulsionados por uma inquietação interior, buscando expressar essa inquietação por meio das palavras. As grandes questões filosóficas humanas, como vida, transcendência, afeto e remorso, servem de inspiração para mim. Além disso, meu texto abarca temas espirituais, ancestrais e questões LGBTQIA+, refletindo minha identidade bissexual. Possuo formação em comunicação, com especialização em escrita criativa.

Avatar de Desconhecido
Publicado por:

Deixe uma resposta